quinta-feira, 30 de junho de 2011

Viva XY!


Tem uma aranha no meu xampu.
Não, não é qualquer aranha. É uma aranha esquisita, albina e torta. Tortinha da silva.
Fez uma teia respeitável de ontem pra hoje entre meu xampu e um condicionador. E eu não tiro! Não tiro não tiro não tiro! Bato o pé mesmo. Detesto inseto.
Não é medinho idiota, frescurinha de mulherzinha uiuiui. É medo! E é medo de qualquer inseto, pra ficar registrado, não só aranhas esquisitas, albinas e tortas. Barata, então! Rá! Nem aquelas pequenininhas, que nós brasileirinhos chamamos carinhosamente de "francesinhas". E nem formigas! Grandes ou pequenas. Quando eu vejo das pequenininhas na cozinha, meu primeiro instinto é soprar longe, queimar, prender no vão do fundo do copo, fingir que ela é um botão ou dar um peteleco. Quando eu vejo as grandes, também mato, só que com uma revista, um chinelo ou qualquer coisa que elimine a ameaça sem que eu precise enfrentar diretamente.
Você acredita que eu tive uma empregada doméstica que matava baratinha de apartamento com a mão? Ok, eu sou um caso à parte, mas com a mão já é nojento demais né não?
Mas eu nem sempre fui assim.
Quando era garota, não tinha medo de bicho, meu sonho era ver uma cigarra - dessas que cantam pra morrer, êta bicho trágico - e pegá-la na mão, como minha mãe dizia que fazia quando era criança. Na praia, caçava tatuí e joaninha, colocava tudo num balde, comparava a quantidade com a dos meus irmãos, mostrava pros meus pais e jogava de novo no chão. Adorava tatuí, especialmente. Bicho estranho. Acho que se topar com um tatuí na praia hoje, descalça e vulnerável, corro como se tivesse fugindo de um pit bull espumante.
Já cheguei até a matar uma ou duas baratas menores, embora sempre tivesse tido nojo.
Aconteceu quando eu tinha entre 14 e 15 anos de idade. Começando a sair com os boyzinhos, tinha marcado com um deles pra me buscar na porta do meu prédio, quando eu ainda morava na Lagoa e vivia bem sem saber disso. Meus cabelos na época eram lindos, compridos, ondulados, sedosos e caiam até abaixo do peito. Adorava eles, embora não cuidasse tão bem quanto eles mereciam. De qualquer forma, lá estava eu, arrumada, cheirosa, com meus cabelos por cima de um ombro esperando meu príncipe encantado chegar. Eis que, quando eu viro o rosto pra olhar o fim da rua, lá estava ela. A Maldita! Uma barata que devia ter uns três dedos de comprimento no meu ombro, em cima do meu cabelo, balançando as antenas como se estivesse estado ali há horas sem eu perceber. A Maldita!
Desse dia em diante nunca mais consegui me dar bem com inseto. Nenhum inseto. Pra mim, é sinal de mau augúrio. A anatomia, a cor, as antenas, o número exagerado de pernas. Pra quê um bicho precisa ter tanto pé? Credo! Se eu conseguisse chegar perto de um, tiraria as perninhas e veria como eles se equilibram apenas em quatro. Muita crueldade? Talvez, mas que diferença faz se eu nunca conseguirei.
Por isso eu agradeço a existência dos XY. Eles foram criados pra isso mesmo, cobrir os raros pontos da existência onde falhamos, como não termos um pinto, não sermos capazes de fazer um filho sozinhas e matar bicho. Ainda tem aqueles que abrem latas e protegem e defendem, mas são fabricações especiais com itens adicionais exclusivos. Temos que pagar mais caro por esses.

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